O QUE É CINEMATOGRAFIA?

Postado em 10/03/2015 por Carlos Ebert
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Lato sensu, cinematógrafo resulta da junção das palavras gregas kínema (atos, movimento) + grafo ( grafé, -ês, escrita + -ia). Ou seja: registro (escrita) do movimento.

O que faz uma sequencia de imagens estáticas ser percebida como em movimento em nossa mente, é chamado efeito Φ (Phi é a 21ª letra do alfabeto grego) (saiba mais). Ainda não localizado em nosso cérebro, o efeito é classificado como uma “vontade” ou “impulso” em nossa mente. Em outras palavras, “queremos” ver imagens em movimento, o que transforma o cinema num ato de vontade. Não explica muito, mas é melhor do que nada. A “emenda” entre uma imagem e a subsequente é feita através de uma propriedade da visão chamada persistência retiniana. Assim, a impressão da imagem na mente persiste mesmo após o estímulo haver cessado ( pela mesma razão não vemos uma tela preta quando piscamos os olhos).

O número de imagens por segundo exibidas (cadência), tem um limite inferior de 12 imagens por segundo. Com menos que isso o efeito do movimento cessa e a percepção passa a ser a mesma de uma  projeção de slides. Para cima, não existe uma estimativa de limite. Mas sabemos que  temos uma espécie de “apagamento”. Ficamos sem percepção visual entre os rápidos movimentos oculares (sacadicos), que fazemos ao lançar as imagens na região central  da retina (fóvea), onde a resolução é alta, para que possamos vê-las com detalhes. A nossa “cadência” nos é desconhecida, mas ela certamente existe.

Os irmãos Auguste e Louis Lumière construiram em 1894 o primeiro cinematógrafo de que se tem notícia (saiba mais). Ironicamente, Louis Lumière escreveu em carta a um amigo que “O Cinema é uma invenção sem futuro.” Nem sempre quem inventa percebe as possibilidades do que fez.

Em 120 anos de existência, a cinematografia avançou vertiginosamente. Incorporou a cor, o som, a estereoscopia e futuramente, quem sabe, até a holografia. Como forma narrativa, a cinematografia parece insuperável, pois é aquela que mais se aproxima da nossa percepção da realidade. Estudos recentes da nossa “janela perceptual” em termos de espaço e de tempo (saiba mais) prometem levar a cinematografia a novos paradigmas. A conferir.