COR TEM TEMPERATURA?

Postado em 16/04/2015 por Carlos Ebert
cor-tem-temperatura

Cor tem temperatura sim! Imagine essa cena: um ferreiro coloca uma barra de ferro na forja. A medida em que ela vai aquecendo, ela começa a emitir luz. A principio uma luz tênue e avermelhada, depois alaranjada um pouco mais forte, depois amarela, branca – mais intensa ainda, e finalmente branca azulada bem forte. A temperatura em que a barra é aquecida tem uma relação direta com o espectro – a mistura das luzes de várias cores que compõe a luz que ela emite, e é essa temperatura, medida em graus Kelvin, que chamamos “temperatura de cor de uma fonte luminosa”.

Normalmente as medidas de temperatura (do corpo, da atmosfera etc), são feitas usando a escala Celsius, onde 0 Cº é a temperatura em que a água de solidifica (gêlo) e 100 Cº a temperatura em que ela evapora. Na ciência onde as variações de temperatura podem ser muito maiores se usa a escala Kelvin. O zero na escala Kelvin corresponde a -273 ºC

Os sensores das cameras são projetados e fabricados para reproduzirem corretamente as cores de uma cena quando iluminada com luz de uma determinada temperatura de cor. Na esmagadora maioria das vêzes, 3200ºK. Correções na temperatura de cor são possíveis através do uso de filtros ópticos ou de processamento dos valores de RGB no sinal da câmera (balanço de branco).

A rigor o conceito de “temperatura de cor” só poderia ser aplicado às fontes de luz incandescentes, que têm o espectro contínuo (todos os comprimentos de onda estão presentes), mas na realidade ele foi adaptado para ser usado em fontes de descarga, fluorescentes, LEDs etc. Para compensar as inevitáveis distorções na reprodução das cores que essas fontes com espectro descontínuo apresentam, foi introduzida uma outra medida colorimetrica chamada de Indice de Reprodução de Cor (IRC ou CRI em inglês).

Na atualidade, com a enorme variedade e mistura de fontes de luz artificiais, a questão da colorimetria da imagem ficou mais complexa, com as decisões de balanceamento e colorimetria na camera exigindo uma análise mais apurada por parte do cinematógrafo. Muitas vezes, num ambiente onde muitas fontes de luz estão presentes, a decisão de balancear a camera para uma determinada temperatura de cor irá depender de onde o ator ou a pessoa documentada irá passar durante a tomada. Outra questão é a composição da luz (Temperatura de cor + IRC), que iremos usar para compensar o contraste e a exposição. Em algumas situações é mais vantajoso renunciar às fontes de luz usuais da cinematografia (tungstênio e HMI), que tem um espectro mais equilibrado e completo, e usar fontes de luz iguais às existentes no local.

Embora os atuais recursos de finalização digital de imagem, permitam um ótimo range de correção de cores, é melhor chegar na finalização com um balanceamento criterioso das temperaturas de cor e IRC feito no set. Se procedermos assim, teremos um range bem maior de ajustes na finalização. É o famoso “não deixe para amanhã o que pode fazer hoje“.