COMERCIAL FESTIVAL INTERNACIONAL DE CIRCO SESC 2014

Postado em 25/03/2015 por Carlos Ebert
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O filme de 30” tinha de saída uma séria limitação: não seria possível mostrar os rostos dos artistas. Porque? A explicação do cliente era meio mambembe (já que falamos de circo…): não privilegiar os artistas de um determinado circo em detrimento dos demais. A questão é que só um dos grupos cedeu artistas para fazer o filme. Limitação aceita e incorporada, veio uma questão conceitual referente à imagem. Eu via o filme com o fundo branco – estourado. A Lea, diretora, comprou a ideia, mas o cliente queria….. PRETO!

Como nos bares e restaurantes, o cliente tem sempre razão. Que seja preto então. Se branco, minha ideia era super-expor o fundo com calhas brute e deixar a luz de frente com um rebatimento, no limite da latitude da câmera (BMCC 2.5K). Na nova proposta, optei por trabalhar com contra luz suave (kinos) e um poucos mais de luz frontal (kinos também). Como rodamos durante o dia num galpão de circences, havia muitos vazamentos de luz e assumi que iluminaria tudo com 5600ºK. Balanceei a câmera rigorosamente para os 5600ºK, queria reproduzir a pele e as roupas o mais fielmente possível. O plano era na finalização aumentar um tanto a saturação para acentuar o caráter circense.

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Feito o primeiro corte, surpresa!!! O filme estava em preto e branco! E outra surpresa: estava lindo! Pois é, na hora apareceu na memória “Noites de Circo” do Bergman (assistir ao vídeo), que era um circo sombrio, em P&B. Muito diferente do Maior Espetáculo da Terra, do Cecil B. DeMille, o filme de circo da minha infância. Recentemente filmei num circo algumas cenas do longa-metragem “O Crime da Cabra”, de Ariane Porto. Fiz tudo super colorido, com máxima saturação, o que estava de acordo com o tom de comédia farsesca do filme. Oportunamente colocarei uma dessas sequências aqui.

Voltando ao comercial, a edição da Lea – muito precisa e objetiva, ressaltou o que havia de melhor na cinematografia, usando só o “filé mignon” das tomadas. Optei por não rodar em slow motion para ter mais planos no filme e também para não glamourizar demais. Queriamos um circo em “tempo real” com artistas de carne e osso. Uma versão um pouco maior, de 45” agradou mais a mim e a Lea. Mas como a mídia previa os 30”, assim foi.

O resultado agradou a todos os envolvidos. Para mim, rodar num circo é sempre uma aventura fantástica, que me reconduz a infância. Quando vi pela primeira vez um circo mambembe em Cabo Frio no Rio, fiquei maravilhado. Viva o circo!

 

  • Comercial do Festival Internacional de Circo SESC 2014
  • Direção: Lea Van Steen
  • Cliente: SESC