APROPRIAÇÕES DE FONTES DE LUZ COMERCIAIS E DOMÉSTICAS PARA CINEMATOGRAFIA

Postado em 13/11/2017 por Carlos Ebert
apropriacoes-de-fontes-de-luz-comerciais-e-domesticas-para-cinematografia

Tudo que emite luz visível pode ser usado na cinematografia? A resposta é sim. A condição para que funcione, produzindo o efeito que Vc imaginou, é que Vc conheça o espectro da fonte de luz e consiga  relaciona-lo com o balanço de branco (White balance) feito na câmera.

O gráfico representando o espectro de uma fonte de luz indica o quanto de energia ela emite em cada frequência/comprimento de onda. Os parâmetros de comparação mais usados com relação ao espectro de uma fonte de luz qualquer, é o espectro da luz do sol (5600ºK) e o das lâmpadas de tungstênio com temperatura de cor de 3200ºK. A temperatura de cor – expressa em graus Kelvin, indica a temperatura a que foi aquecido um irradiador (corpo negro), para que emitisse luz visível num determinado espectro.

No sol e nas lâmpadas incandescentes, assim como na maioria das lâmpadas de descarga (HMI, HQI etc), esse espectro é contínuo. Nas lâmpadas fluorescentes, diodos emissores de luz (LED), lâmpadas de sódio entre outras o espectro é descontínuo, com a lâmpada emitindo luz apenas em determinadas frequências/comprimentos de onda. O problema nesses casos é que os objetos que são da cor correspondente a frequência/comprimento de onda faltante na lâmpada, terão a sua reprodução de cor alterada. Quando isso acontece  nos tons de pele por exemplo, o problema é grave. Qualquer distorção na cor na cútis empresta significados negativos ao sujeito (doença, anemia, vergonha etc…).

Subtrair partes indesejáveis do espectro de uma lâmpada é possível através do uso de filtros de vidro ou gelatina. Adicionar  partes faltantes não. Misturar fontes de luz onde uma complementa as partes inexistentes na outra é possível e funciona bem. Por exemplo: misturar LEDs com temperaturas de 6500ºK e 3000ºK resulta num espectro bem próximo ao da luz do sol.

Para avaliar na prática o espectro de uma fonte de luz, basta gravar uma carta de cor com a exposição correta e com a câmera balanceada na temperatura de cor indicada pelo fabricante da lâmpada e avaliar a reprodução de cada uma das cores constantes na carta.

Experimente.  As lâmpadas comerciais e domésticas vem melhorando muito seus espectros, o que resulta num índice de reprodução de cor (IRC ou CRI em inglês) bem alto. O padrão de IRC é a luz do sol, a qual é assinalado o valor máximo de 100. Valores acima de 90 proporcionam uma reprodução das cores compatível com o que vemos a olho nú.

Experimente com as lâmpadas domésticas e comerciais existentes. Os resultados visuais podem ser muito interessantes e a relação custo/benefício é muito boa.