À GUISA DE ITINERÁRIO AUTOBIOGRÁFICO

Postado em 10/03/2015 por Carlos Ebert
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Contar a própria história não funciona. Com narrador e personagem coincidindo, teremos poucos fatos e muitas versões… O ideal seria apenas alinhar os fatos, ou melhor,as obras, como está no Currículo. E se já lá está, então não há porque redundar.

O que posso fazer com pouca precisão e muito custo – porque baseado na memória remota, é alinhar alguns “porques” e “comos” que percorri até chegar a ser Diretor de Fotografia. Faço pensando nos alunos – ex , atuais e futuros, para que persistam e não desistam.

A boa notícia é que cada vez mais existem midias para imagens em movimento. E para que elas sejam interessantes e mereçam ser vistas, um Diretor de Fotografia deverá estar por trás das câmeras e luzes. A má, é que a banalização – consequência da própria expansão acelerada, diminui os padrões de qualidade técnica e artística por parte dos espectadores. Mas, como já foi observado que quem produz algo o faz tendo a si próprio como esperctador, a qualidade das suas imagens sempre dependerá do seu grau de exigência estética e artística, da sua cultura visual e cinematográfica, do seu repertório e do seu imaginário.

Assim, mais do que aprender a técnica cinematográfica, cabe ao cinematógrafo refinar seu olhar e entender como funciona o olhar e o ver – seu e do outro. Já foi provado (saiba mais) que ao olharmos a realidade à nossa volta, o que fazemos é lançar hipóteses baseadas no conhecimento acumulado, sobre o que pode significar aquela informação que chegou ao cortéx visual, vinda das nossas retinas. Ficamos sempre com a hipótese que nos parace estar mais em concordância com a nossa experiência anterior. Dito de outra forma, aprendemos a ver da mesma forma que aprendemos a falar e a andar. E da mesma forma que podemos chegar a poesia ou ao atletismo, aperfeiçoando o discurso e a locomoção, podemos chegar à cinematografia pelo aperfeiçoamento do olhar e do ver.

Garoto, me perdia olhando formigas, grilos, besouros, bichos-pau e outros bichos. Me encantavam os detalhes da locomoção, os movimentos. Logicamente isso foi interpretado erroneamente na família como uma tendência à ciência (meu Pai era professor de História Natural…). Meu barato entretanto era  com a imagem em geral, e também com as palavras. Fui um leitor apaixonado de enciclopédias (tenho até hoje o Nouveau Larrousse Illustrée em sete volumes que foi de meu avô  e o Lello Universal em quatro). Se já existisse na época o How Things Work, ele seria certamente meu livro de cabeceira.

Juntar essa obsessão pelas imagens com a fotografia custou. Em casa não havia uma câmera sequer (haviam muitas fotos feitas por parentes e amigos). Só na pré adolescência consegui uma câmera emprestada (Tks, Arthur!). Era uma twin lens reflex Yashica 4x4cm. Com ela tirei as primeiras fotos, ampliadas pelo grande amigo de sempre, Cláudio Kubrusly. Meu rumo ainda sofreu alguns desvios (entrei na Faculdade de Arquitetura, fui do Rio para São Paulo etc…), mas depois centrei meu projeto em filmar e fotografar, e nele estou até hoje.

Essa página existe para trocar ideias e impressões sobre fotografia e cinematografia. Fique a vontade para contar, perguntar, afirmar e contestar. Estamos aqui para isso.